Cinco perguntas sobre a escrita: Luciana Abdo

[Foto: Bianca de Sá]
Leitora voraz de múltiplas literaturas, Luciana Abdo é formada em Direito pela UFMG e em Cinema pela UNA. Participou da Oficina de criação literária do professor e autor Assis Brasil, na Academia Mineira de Letras. Seu primeiro livro, O Livro de Ouro das Coisas Sem Graça será lançado no próximo sábado, dia 13/05 no Arcângelo Café (R. da Bahia 1148 sl. 02) a partir das 14h.
Aqui, ela responde as cinco perguntas sobre a escrita.
1. Como se iniciou a sua relação com a escrita?

Não sei ao certo. Durante muito tempo, escrever era uma forma de organizar meus pensamentos, mas essa escrita era algo confessional, a que ninguém tinha acesso. Contudo, eu aprendi que só conseguia refletir escrevendo. Demorei a considerar com seriedade uma escrita direcionada ou acessível aos outros; foi preciso muita água passar por debaixo da ponte, inclusive fazer graduação em cinema para aprender o processo narrativo. Por fim, precisei desmistificar a literatura e a ideia que tinha dos escritores, precisei me autorizar a ser uma. Conviver de perto com outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo foi talvez o pulo do gato, principalmente para entender que a literatura não é a lista dos mais vendidos das livrarias.

2. Como, no momento, funciona o ofício da escrita para você?

Não chamaria de ofício, chamaria de namoro. A flerte inicial foi muito, muito sensual, mas cheio de insegurança e perguntas. Agora, acho que o namoro está numa fase mais estável, na qual eu me sinto confortável, mas ainda cheia de delicadezas e cuidados.

3. Como as suas leituras se concatenam com a sua escrita?

Durante muito tempo fui apenas uma leitora e isso é essencialmente o que eu sou. Leio qualquer coisa que me caia às mãos, ou aos olhos, e creio que o desejo de escrever é integralmente motivado pelo prazer da leitura. Sou muito ambiciosa; gostaria de escrever estórias que realmente encantem quem as lê, porque, na minha experiência, poucas coisas são tão prazerosas quanto uma boa estória, ficcional ou não (que fique claro que sempre uso estória, porque história é só a matéria que a gente estuda para passar no colégio e História é a graduação da faculdade).

4. O que é difícil na escrita? E o que é fácil?

Para mim, é fácil a invenção, o processo de sintonizar e projetar outros que são e não são eu. A parte difícil é fazer isso bem.

5. Escrever é, para você, uma necessidade?

Me pergunto isso às vezes. Sei que posso viver sem escrever, mas devo dizer que não quero. É um desejo. Se não puder escrever, ainda assim, acho que continuarei criando ficção, mundos e situações imaginadas. Afinal, é o que faço todos os dias, criando o mundo e eu mesma, como todo mundo. Apenas gosto de fazer com mais imaginação. Sou a típica leitora chateada por não encontrar dragões ou tapetes voadores no mundo real. Então, me movimento para criar mundos próprios e dar vazão à uma necessidade inesgotável de maravilhamento. Escrever é a parte onde eu partilho com quem desejar. E é incrível!
Aguardamos todos vocês para o lançamento!

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