Cinco perguntas sobre a escrita: André Villani

No próximo sábado, 1º de dezembro, o poeta mineiro André Villani lança seu livro O tempo para cartografar (Urutau, 2018) no Bardagabi (R. Silvianópolis, 197, Santa Tereza, BH/MG).
Aqui, ele responde as cinco perguntas sobre a escrita.
1. Como se iniciou e se estabeleceu a sua relação com a leitura e com a escrita?
A leitura começou com a biblioteca dos meus pais, o primeiro lugar de leitura que foi o mais óbvio possível. E é algo que foi me acompanhando. Hoje, tenho na minha casa as antologias de poetas brasileiros que foram roubadas da biblioteca deles.
A escrita veio junto, como uma extensão da biblioteca. Lembro de chegar de viagens feitas em família e meu pai  pedir para a gente escrever sobre o que tínhamos visto ou conhecido. Tudo que fosse novo. Comecei a escrever contos e poemas no início da adolescência, quando descobri o Drummond e que o Vinicius não fazia só as músicas de crianças que minha mãe mostrava para a agente.
Aos poucos, a escrita foi ficando mais necessária, algo que precisava ser compartilhado. As oficinas podem ser incríveis, com as trocas, com os processos e principalmente com as novas leituras. Escrever não é isolamento.
2. Como, no momento, funciona o ofício da escrita para você?
“Funcionar” é uma palavra interessante. Faz parecer que dá para abrir uma tampa e ver as engrenagens.
A escrita, para mim, pulsa. Não é exatamente constante. Vai e volta, de forma intermitente.
Eu tento driblar isso com um lembrete no celular, às 22:30 todos os dias, para simular um hábito, mas a pulsação persiste e eu tropeço. Vai e vem mesmo.
Uso o computador, o celular e um pouco de caderno para escrever. A leitura é o que mais move minha escrita.
3. Como suas leituras se concatenam com sua escrita?
Acho que a leitura se parece com um prisma. Ela modifica, molda e quase toca as coisas ao redor. Isso acaba se refletindo, inevitavelmente, na minha escrita. Dá um gosto bom na boca.
4. O que é difícil na escrita? E o que é fácil?
O mais difícil na escrita é saber quando parar. Eu passo muito tempo editando um poema, por exemplo. Essa é a parte mais longa do processo e pode criar uma paralisia que, no final, mata o poema. Ninguém quer matar o poema.
Títulos também são muito difíceis. Estou aprendendo que o Jorge Amado era muito bom de dar títulos. Não há nada melhor que “Teresa Batista Cansada de Guerra”.
É fácil gostar de escrever. Não acho que escrever é sofrido, embora, às vezes, possa ser incômodo. Porém, é um desconforto parecido com tirar uma farpa muito pequena da palma da mão: pinica, mas causa uma obsessão gostosa de ficar ali, com uma pinça, até conseguir tirar.
5. Escrever, para você, é uma necessidade?
Eu acho que a escrita começa com a necessidade, mas se transforma em outras coisas. Se a escrita fosse só necessidade, ela seria sempre árdua.
Tem pouco tempo que eu li alguns poemas da Alejandra Pizarnik. Ela tem versos que eu acho que explicam muito bem essa relação de escrita com necessidade: “ela tem medo de não saber nomear / o que não existe” e “explicar com palavras deste mundo / que partiu de mim um barco levando-me”.

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